Ser Mulher

No 8 de março, fomos às ruas. Em tempos de tanta discussão e importância de igualdade dos gêneros, e levantes feministas – o que é que as mulheres pensam sobre o que é ser mulher? Este vídeo é um teaser do documentário que eu e a Beatriz estamos produzindo, da companhia audiovisual da Bruna. 

E 2016?

E é com muita honra que inauguro o 1º post do blog de 2016 com um vídeo! Para este ano, decidi mudança em algumas coisinhas no funcionamento daqui do site, e tá decretado que vai ter muito vídeo, muito audiovisual, e muita coisa legal e diferente. Só aguardar.

Neste vídeo, eu e a @brundzz (novo membro da equipe audiovisual do brógui) decidimos investigar o que a galera achou de 2015, e quais são suas expectativas para 2016. Quais são as suas? Gostou? Curte, compartilha, e conta pra gente o que achou. Beijo, e bom 2016 para todos nós!

4 anos descensurando por aí

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Confesso que não sei bem o que escrever. Confesso que não sei bem o que escrever há um longo tempo. Não, por falta de aventura, opinião, ou pretexto, eu me asseguro, não é. O que vem acontecido de tempos para cá é um excesso: de informação, de acontecimento, de sentimento, de movimento. E consequentemente, tem me restado pouco tempo para escrever.

E mesmo as pausas, domingos, e feriados, não tem sido propícios nesse sentido. Porque para escrever, e realmente escrever, isto é, sugar a dor, paixão, ou qualquer batimento cardíaco e transformar em palavras é necessário respirar. E confesso que nesse longo tempo, não tenho conseguido respirar apropriadamente – o excesso daquilo que me circunda não tem permitido.

Acho que é exatamente por conta disso que esses 4 anos, essa comemoração específica é especial. Criei esse blog em 20.11.2011, quando eu tinha 13 anos, e estava no 8º ano. Desde aquela época, eu já era muito espevitada quanto às coisas que eu queria. O nome “sem censuras, por favor” surgiu como uma forma de gritar. Me sentia incompreendida, como se aqueles que estivessem ao meu redor achassem um absurdo aquelas opiniões vindas de uma garota tão nova. E eu detestava disso. Era como se por meio dos meus textos exclamasse “ei, não é só porque sou nova que sou ingênua!!!”. Sim, eu era ingênua. Mas de um bom modo.

O meu blog não se tornou conhecido, hit da internet. E sinceramente? Ainda bem que não. Não gostaria que o mundo me reconhecesse pela menina que eu era. Ela não era ruim, de modo nenhum, ela era ótima, ela era uma grande parte da garota que sou hoje. Entretanto, o que ela conhecia desse mundo ainda era muito pouco. O que me admira é pensar em suas vontades: sempre crescente, sempre crítica, curiosa, instintiva. Tais características já me renderam muito choro, muita raiva, muitos textos que não valem a pena serem lidos, mas também me renderam maturidade, diferencial, e um latente desejo em aprender, escrever, mudar, lutar.

Hoje, prazer, tenho 17 anos de idade, e há dois dias, tive meu último dia de aula do Ensino Médio. Há quatro, apresentei meu tcc do curso técnico que cursei nos últimos 3 anos. Em algumas semanas, presto vestibular do curso que sempre sonhei estudar. Acho que agora é possível compreender pelo menos um tiquinho do porquê esse texto, esse momento, essa comemoração são tão especiais. Eles são uma síntese de tudo que eu precisei descobrir, quebrar a cara, almejar, errar, acertar para hoje, com sucesso, poder ser a pessoa que eu sempre quis ser.

Há 1 ano atrás, escrevi um texto tão introspectivo quanto esse, mas ele não me representa. Ele representa as partes de mim que nem sempre enxergam a estrada a percorrer de uma forma clara. Ele representa o medo, as ameças, os obstáculos a serem combatidos. Ele representa pedaços não só de mim, mas pedaços de todos nós. Ele representa fases e momentos em que não sabemos no que acreditar, momentos em que não acreditamos em nós mesmos. Ele é importante pois atesta tudo que todos os dias a gente precisa combater.

Ele representa os dias em que não me acho linda quando me olho no espelho, os dias em que ir mal em uma prova me deixa chateada, os dias em que ler o jornal me faz querer desistir de um mundo melhor, os dias em que acho que o problema é comigo, com o jeito que eu sou, com aquilo que me representa. Ele representa momentos que todos nós temos, momentos em que o mundo fala mais alto, e a gente acha que ficar quieto e submisso é a melhor alternativa para sobreviver.

Mas essa é a questão: a gente não tem que sobreviver, a gente tem é que VIVER. Conversando com os amigos da minha sala nesse final de ensino médio, compartilhei uma imagem que dizia que deveríamos sair da zona de conforto, pois as coisas realmente especiais só acontecem quando saímos da zona de conforto. E a cada dia, creio cada vez mais que essa seja a chave para tudo que nos rodeia.

Esse blog, e consequentemente, tudo que passei, e tudo que ainda passarei, é sobre isso: sobre resistência. Sobre dar voz à nós mesmos. Sobre dar voz àquilo que não se enquadra com a minha verdade. Sobre dar espaço de ascensão aos sonhos, às pessoas, às vidas. É sobre descensurar: sobre não deixar que nada nem ninguém censure o que temos a dizer ou fazer.

Feliz 4 do que espero que seja um reflexo da vida toda. <3

23ª inconstância

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A solidão, quando observada do futuro, não é bastante compreendida. A impressão que fica é que o desejo de compreensão e libertação, quando atingidos, nos fazem esquecer dos porquês. Tudo que se sabe é que é preferível voltar para aquela inteira e intensa dor, aquele vazio, do que a busca incessante da imprevisibilidade do futuro. O presente aterroriza de maneiras sem escapatória – o medo, o desespero – eles estão no simples pensamento. São as decisões ainda não tomadas, a previsão do tempo que resta, o que me falta para eu me jogar no mundo.

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54ª inconstância

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Se tem uma coisa que eu descobri nesse meio-tempo de auto-descobrimento é que tem gente que parece que não tem sonhos. Não tem sonhos, não tem desejos, não tem uma fantasia do que quer pro mundo e pra vida. Será? Me pergunto como essas pessoas acordam e vão dormir sem suspirar por aquele algo a mais. Não estou dizendo para transformarmos todos os segundos e rituais do nosso dia-a-dia em constante lutas por aquilo que tanto queremos, mas se você não vive para alcançar um ideal (mesmo que a jornada seja a parte mais importante): meu bem, você vive para o quê?

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Dois

Dois atores.
Dois que sabem disfarçar.
Dois que no fundo
Fingem não se importar.
Dois que ao teatrar,
Sem querer, por querer,
Acabam por se entregar.

A troca de palavras
A troca de olhares
A troca de risadas
A troca de conformidades
Não sai daquela sala.

Quem diria, quem diria
Que de não querer pensar
Naquele um, naquele outro,
Sem querer, por querer
Ao ter que atuar
Pelo olhar
A verdade encontrar.

Não sabe o que esperar
Não sabe o que pensar
Não sabe o que imaginar

Queria esquecer,
Fugir, grunhir,
Mas toda essa história
Ficou pairando no ar.

Os dois, parecidos que são
Ficam nesse eterno ponto
De interrogação.
Quando um dia a resposta terão?

(70 dias)

Diplomas e sementes na cabeceira

07

Inicio esse texto para compartilhar minha indignação com aquele momento da vida que você está passeando pelo facebook, encontra o perfil de alguém que parece ser super bacana, e o máximo de informação que você consegue ter é que além de vocês serem da mesma cidade (ou não), fulano estuda/estudou na escola/faculdade x. Mas poxa, eu não quero saber onde você estudou! Quero saber o quê você estudou. Jornalismo, psicologia, fotografia, engenharia física, criminologia, gestão ambiental… é isso que me dá gosto. Antes que me taquem as pedras dizendo que o diploma não define nada sobre alguém, deixe-me explicar. E já deixo claro: eu concordo com você, leitor. Ter 0 ou 5 diplomas não define ninguém.

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